O Poder de Plutão: você o domina ou é dominada por ele?

 

 


Plutão é o mestre daquilo que é inconsciente. Planeta mais distante do Sol no sistema solar (símbolo da consciência pessoal), Plutão representa a escuridão. Inconsciente, escuridão e poder: como podem essas três palavras se relacionar em uma mesma frase e resultar em algo bom?


Plutão também se associa a processos de manipulação. E o que é a manipulação? É o exercício disfarçado o poder sobre outra pessoa ou situação, cujos fins não são claros, mas que geralmente visam o beneficio pessoal. Eu diria que a manipulação é um exercício de poder muitas vezes inconsciente; nem sabemos o quanto dominamos a pessoa ou situação em questão, mas o fazemos, algumas vezes sem que nenhum dos dois se de conta.
 

Inconsciente, escuro, poderoso: Plutão age sobre nós sem que tenhamos consciência. Como o inconsciente do Freud, que é tão óbvio que passa despercebido. Como o inconsciente de Freud, cheio de energia primitiva, pessoal, cheio de paixões e compulsões. Como o inconsciente de Freud, cheio de verdade sobre nós mesmos e, por isso mesmo, tão poderoso. Plutão é fantástico porque seu poder remete a outra coisa, outro nível de consciência. 
 

Quando astrólogos leem Plutão no mapa, geralmente falam de “fazer bom uso do planeta”. Falam dos perigos de um Plutão mal usado. Para mim, um Plutão mal usado é um Plutão cujo objetivo está em adquirir poder sobre a matéria. Plutão concentra tanta força e energia porque é feito da nossa pulsão vital, de vida e de morte, daquilo que não é palpável. Plutão nos convida a um passeio pelo inferno da nossa própria alma e existência, prometendo-nos que se tivermos coragem de embarcar nessa viagem, haverá luz no final do túnel.
 

O objetivo primeiro de Plutão – e de qualquer planeta transpessoal – está naquilo que foge aos olhos. O poder de Plutão e único, último e absoluto, porque ele oferece poder e controle sobre a única coisa sobre a qual realmente podemos conquistar no Universo: a nossa sombra, nós mesmos!
 

O caminho é inverso ao abordado pela maioria. Transito de Plutão pela casa 2? Esquece do dinheiro, das seus gastos e receitas, e vai trabalhar na sua relação com você mesma, com o seu sentido de valor pessoal! Por que tanta necessidade de controle financeiro? Por que tanto medo de perder tudo? Se você mergulhar neste caminho, tenha certeza de que o dinheiro (ou a falta de) será apenas um resultado, um indicativo do seu sucesso (ou fracasso) nesse processo.
 

Transito de Plutão pela 6? Esqueça as obsessões com o corpo, com a sua forma física ou com o seu trabalho. Tente observar se a sua rotina reflete a sua essência, se está em sintonia com o teu verdadeiro eu: o resultado dessa observação poderá (ou não) representar uma mudança de trabalho, uma dieta, uma plástica. Tudo depende do processo.
 

Outra coisa que se observa com Plutão pela casa 6 é a morte de muita gente ao nosso redor. Tem algo mais transformador do que a morte? A morte por si só é uma transformação. Simbolicamente, isso é um indicativo claro de que as coisas a sua volta estão mudando e que você também precisa mudar. A extinção da vida da lugar a algo novo, e você também precisa deixar ir aquilo que não serve mais.
 

O processo é de dentro pra fora. Plutão em transito por qualquer casa significa: o que eu preciso abandonar nessa área? O que precisa mudar? Como eu preciso mudar em relação a isso?
 

Como Plutão nos coloca em contato com o nosso inconsciente, como ele nos convida a dar um passeio pelos aspectos mais podres e escuros de nossa personalidade, ele nos dá poder absoluto. Porque o que pode ser mais poderoso do que conhecermos profundamente a nós mesmos e deixarmos de ser o grande sabotador de nossas próprias vidas?

Plutão em nosso mapa natal é o lugar onde fazemos catarse, onde jogamos e projetamos a nossa sombra. Curiosamente, é também o lugar de onde mais corremos, que mais evitamos, ou é o lugar onde temos obsessão por controle. Ao vermos aquele lugar no mapa, de alguma forma, como o “mal” em nossas vidas, nos esquecemos que (como donos do mapa) aquele “mal” é produzido (principalmente) pela gente. “Terceirizamos” a responsabilidade, dissociamos, nos separamos em bem e mal, e colocamos o “mal” fora. E se integrarmos? Aquilo ali também é a gente! Integrá-lo não nos torna pior; ao contrário, nos torna poderosos, porque só assumindo a sombra como nossa podemos trazer luz à ela.

 

Quando Plutão por transito se manifesta muito na matéria, uma de duas coisas está acontecendo: ou você já aprendeu sua lição em relação à aquela área e está colhendo os frutos disso (quando os resultados materiais são positivos), ou você está tão desconectado da sua essência que os eventos materiais que estão rolando querem colocar a sua consciência em contato com aquilo que é realmente fundamental. Não tem meio termo: a matéria ou é um despertador que te chama a atenção para outra coisa ou é um lugar de colheita de resultados. Seja como for, é sempre um meio, seja onde o trabalho interno positivo será observado concretamente ou onde a falta de trabalho interno também será indicado de maneira palpável. 
 

Como último planeta conhecido do sistema solar, Plutão nos traz de volta às nossas origens. Ele exige a morte de tudo aquilo que não serve mais e o nascimento de outro tipo de energia, algo mais básico, mais essencial, mais verdadeiro. Pura energia condensada, a nossa força, quando vivemos um transito de Plutão, reside em olhar de frente para o que quer que se apresente. Fugir, evitar significa ser perseguido (e alcançado) por todos os monstros que temos em baixo da cama e que escondemos dentro do armário. Olhar para ele dá medo, mas encarar nossos medos também é libertador. 
 

Plutão é o poder e o domínio. Ele é a nossa própria imortalidade e indestrutibilidade. Porque, ao nos reconhecermos mortais, falhos, imperfeitos, ao transitarmos a nossa própria sombra, adquirimos poder sobre a única coisa que realmente possuímos ou podemos possuir no Universo: nós mesmos. Se conhecermos nossas fraquezas, saberemos nossas debilidades e limitações. E ao sabê-lo, nos tornamos imortais e indestrutíveis pelos demais. 

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