Lembrei...

 

 

Lembra de todas as manhãs que acordei ao seu lado com o som da morte do nosso amor? Eu lembro...

 

Lembrei do vazio que sentia caminhando no frio da manhã, deixando para trás você, o nosso amor, o nosso presente e todos os sonhos que um dia sonhamos.

 

Lembrei das vezes que evitamos nos olhar para não nos depararmos com a nossa ausência no olhar do outro.

 

E lembrei de todas as vezes que desviamos o olhar para evitar revelar mais do que estávamos dispostos a confessar.

 

Lembrei....

 

Da vez que te encontrei a caminho de casa e do quanto aquela troca me encheu de esperanças para um futuro de possibilidades jamais realizadas.

 

Lembrei de todas as vezes que dirigi sozinha na noite pensando em como seria compartilhar cada momento com você.

 

E aquela noite estrelada que observamos desde o canteiro daquela rua principal, lembra? As mãos que não se tocaram, as palavras que nunca alcançaram nossos lábios, e as confissões silenciosas feitas por nossos olhos.

 

Lembra?

 

Eu lembrei da vez que você disse que tinha me lido, e da vez que vi você me lendo sem nada dizer.

 

Eu lembrei... mas troquei...

 

Troquei uma vida de promessas e possibilidades não preenchidas pela paz e tranquilidade das tardes de domingo.

 

E fiz bem! Sei que fiz!

 

Conheço a fugacidade das esperanças contidas em promessas breves e em "e se"...

 

Porque sei que nada tem o gosto do desconhecido, do improvável, do novo e do casual. Mas o desconhecido, o improvável, o novo e o casual duram um breve segundo...

 

E porque só daquela ansiedade não se vive, e raramente se sobrevive.

 

Então, fico...

 

Calada.

 

Em silêncio.

 

Sozinha.

 

Centrada.

 

Fico!

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