Festas de Final de Ano e Conflitos Familiares: 4 Dicas para Garantir o Sucesso da sua Celebração

 

Em um mundo ideal, as festas de final de ano são um momento para se reunir em torno da mesa de jantar, falar das coisas boas do ano que passou, trocar presentes, comer comida gostosa e ser feliz. Mas nem sempre esse é o caso. Quando passamos com familiares com quem temos uma relação difícil, ou que têm transtornos de personalidade, a coisa se complica, e algo que deveria ser prazeroso pode se tornar muito estressante. Algumas vezes, mantivemos intencionalmente pouco ou nenhum contato com eles durante todo o ano para proteger nossa saúde mental e emocional, ligando uma vez por mês para saber como estão. E, de repente, temos que passar vários dias juntos. Como administrar? Embora isso possa ser um grande desafio, não tem porque ser um horror. Existem maneiras de lidar com as emoções reprimidas ou não resolvidas que inevitavelmente irão surgir. Há coisas que você pode fazer para reduzir sua ansiedade e, o mais importante, você pode manter o controle.

 

Veja abaixo 4 dicas para transformar uma situação potencialmente estressante em uma reunião neutra, ou até mesmo prazerosa!

 

1. Defina suas expectativas de maneira realista

Desilusões tendem a ser o resultado de expectativas que não foram definidas adequadamente. Assim, é importante saber claramente o que você pode esperar - de você mesmo, de sua família e do evento. Mais importante ainda é saber o que não esperar. Por exemplo, se você tem décadas de história com eles que falam de estresse, ressentimento e críticas, você não tem absolutamente nenhuma razão para acreditar que as coisas serão diferentes agora. Se eles nunca tiveram nenhuma empatia pelos seus problemas, ou se sempre esperaram de você presentes caros, provavelmente é assim que se comportarão agora. Se acreditar que as coisas serão diferentes desta vez (porque envelheceram ou porque não te veem há algum tempo), você tem grandes chances de se decepcionar. Além disso, planejar seu comportamento com base em suas expectativas para o comportamento deles significa renunciar ao seu próprio poder e colocar o resultado desse momento na mão deles. Não faça isso! Planeje-se para se permitir a melhor experiência possível, independente deles. Sempre é bom esperar pelo melhor, mas a esperança também é a principal causa de desilusão. Então, seja cautelosa. Comportamentos anteriores costumam ser as melhores referências para comportamentos futuros. Olhe para o passado de vocês para estimar melhor os resultados possíveis dentro do cenário atual.

 

2. Tenha objetivos claros

Enquanto se prepara para a celebração, saiba exatamente o resultado que deseja alcançar. O que é mais importante para você? Se o seu objetivo for passar as festas em paz, crie estratégias que garantam que você permaneça centrada, não importa o que aconteça. Para isso, recorra novamente a comportamentos passados, pois eles continuam sendo a sua melhor ferramenta preditiva. Além disso, pense de que forma eles desencadeiam em você reações indesejadas (raiva, mágoa, frustração, revolta, ironia, etc.) e explore outras formas possíveis de reagir. Tente entender por que tais comportamentos te afetam tanto e descubra se há alguma forma de minimizar o impacto deles. Quanto mais você se conhece, mais apta estará a lidar com isso. Portanto, encontrar as respostas para essas questões é a melhor forma de se proteger de agressões, mesmos as mais sutis, como o tom de voz, comentários maldosos, referências ao passado, críticas, etc. Tenha, ainda, um plano para responder aos temas aos quais é mais sensível e que podem tira-la do seu centro. Por exemplo, você pode retirar-se da situação quando surgir um comentário negativo. Você também pode mudar de assunto, dizer claramente que não deseja discutir isso ou pedir que tal ponto não seja discutido em sua presença. Tenha um plano e defina limites claros, que possam ser facilmente comunicados aos outros, se necessário. Diretrizes claras e livres de sentimentos costumam ser eficazes para a definição de limites.

 

3. Evite assuntos controversos

Há uma razão pela qual você se afastou deles em algum momento. E tenho certeza de que um dos motivos foi o fato de vocês não concordarem em relação às coisas mais importantes da vida, seja como educar os filhos, política, religião ou relacionamentos. Então, por que discuti-los? Mantenha a interação de vocês simples e superficial. Fale sobre os últimos eventos, discuta a vida das celebridades, a atual situação socioeconômica do país, mas evite defender o seu ponto de vista quando ouvir alguém dizendo algo que considera um absurdo. Para que? Você acha que será capaz de fazê-los mudar de ideia? Já conseguiu isso alguma vez? Lembre-se de que as experiências passadas são a sua melhor referência para experiências futuras. Você não os fará mudar de ideia. E, embora às vezes discussões filosóficas possam ser emocionantes, se não agregar nada às partes envolvidas, evite. Seu silêncio não será uma declaração de concordância ou consentimento, mas sim a sua inteligência emocional entrando em ação quando está claro que a situação será um desperdício do seu tempo e energia. Todos têm direito a opinião. Que cada um fique com a sua.

 

4. Seja gentil

Quando tiver um plano e suas expectativas estiverem definidas de maneira realista, ofereça o seu melhor a essas pessoas, com a mesma gentileza que o faria com estranhos. Imagine-se na seguinte situação: suponha que você não tem família para passar as festas, e que uma amiga a convidou para passar as festas com ela e com a sua família, que você não conhece. Como você se comportaria com essas pessoas? O que faria? O que diria e o que evitaria dizer? Se você for como a grande maioria, você será educada, gentil e sorridente, sem se abrir muito emocionalmente. Ninguém se abre com estranhos na primeira ou segunda vez que os encontra. O mesmo está em jogo aqui: gentileza com autoproteção emocional. A gentileza não é para eles, mas sim para você mesma. Suas festas de final de ano não serão verdadeiramente felizes se você estiver monossilábica e com raiva. Aliás, ao se comportar assim, poderá gerar aquilo que deseja evitar. Assim, tente pensar nessas pessoas como estranhos. Esta talvez seja a única maneira de oferecer-lhes o seu melhor enquanto cuida de si mesma.

 

Cada família é diferente, mas pouquíssimas estão livres de problemas. Há sempre conflitos interpessoais, problemas passados não resolvidos e mágoas. Quando o que está em jogo é um transtorno de personalidade, como o transtorno de personalidade narcisista ou limítrofe, é ainda mais importante ser emocionalmente inteligente e ter um plano. Você sempre pode decidir não passar o que deveriam ser momentos felizes em companhia de pessoas que te causam dor. Mas se decidir estar com eles, empenhe-se em fazer do momento o melhor possível.

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