Trânsitos astrológicos: bons ou ruins?

Este é um tema pouco discutido, do qual é preciso falar. 
 
Muitas vezes recebo clientes que, quando eu leio um trânsito, me perguntam: "isso é bom ou ruim?". Minha resposta é sempre a mesma: "depende para que, e para quem, segundo o que voce deseja". Essa não é uma resposta muito "comercial", já que la maioria dos clientes espera sair da consulta com um guia de todos os eventos do próximo ano, e se frustram quando saem com tendências, possibilidades, que se darão ou não, em maior ou menor intensidade, segundo o que nos propomos para nosso ano.

Entre meus livros encontrei “Astrología Predictiva”, de Eloy R. Dumon, com um texto muito interessante sobre trânsitos, que quero dividir com voces. Ele diz:

"Os trânsitos, isoladamente, não produzem nem bons nem maus acontecimentos; indicam a manifestação de certas energias que coincidem com circunstâncias ou situações agradáveis ou desagradáveis que teremos que viver ou enfrentar em determinados momentos de nossas vidas. Mas se o trânsito resultará bom ou ruim depende de nossa constituição interna. Nossas fortalezas íntimas e capacidades pessoais podem derrotar as influências negativas ou, ao contrário, também nossas debilidades podem prejudicar ou levar-nos a fazer mal uso das boas posibilidades de un trânsito positivo."

Ele continua:

"Como seres humanos em desenvolvimento, não estamos realmente a mercê de forças externas; estamos permanentemente criando as condições ou circunstâncias que necessitamos ou que merecemos. Neste contexto, geralmente dizemos que 'fulano de tal sofreu um acidente', quando o mais apropriado seria dizer 'fulano de tal se provocou um acidente'." 

Dumón diz que, se bem é verdade que certos trânsitos podem se relacionar com acidentes, nem sempre é necessário que eles se manifestem desta forma. Uma doença ou acontecimento desgraçado, geralmente sugere que a pessoa não encarou algo em sua vida como deveria, e a única maneira de tornar este “algo” presente para a pessoa é concretiza-lo simbólicamente na realidade externa, através de um evento doloroso. Da mesma maneira, o que não podemos enfrentar em nós mesmos vemos refletido em pessoas por quem sentimos antipatía ou aversão, assim como aquilo que nos falta, vemos refletido naqueles que amamos.

Segundo Dumón, os trânsitos “difíceis” têm a ver com um processo purificador e não necessariamente destrutivo, sempre e quando podamos mudar de direção. Como muitas vezes nos agarramos com tenacidade a nossos hábitos, então estes trânsitos "produzem" conflitos relacionados com a expressão do planeta natal, nos obrigando a desenvolver novos modos de expressão em sintonia com a energia do planeta em trânsito, segundo a casa onde esteja. Por exemplo, um trânsito de Urano pelo ascendente nos pede, entre outras coisas, uma mudança radical de conduta que, se não acontece voluntariamente, pode ser “exigida” por un evento externo, com a manifestação, por exemplo, de uma doença no corpo que exija que abandonemos certas condutas para prevenir sua evolução. Mas a doença em si mesma não está predeterminada, assim como não está predeterminada a maneira como a viveremos. Se produzimos a mudança voluntariamente e nos descobrimos doentes, por exemplo, é provável que não seja tão difícil vivê-la como seria se tivéssemos que mudar por causa dela. 

Por outro lado, os trânsitos “fáceis” (como sextis, trígonos y algumas conjunções) proporcionam um estado de confiança interna, segurança e estimulo necessário para seguir com nosso desenvolvimento, sem esforços ou tensões. Apesar disso, estes trânsitos podem nos tornar mais "preguiçosos" para lidar com obstáculos e crises, e não colocam a prova nossos pontos fracos. Mais do que isso: podem reforçá-los. Porque nestes trânsitos podemos resistir a ação e às mudanças, muitas vezes necessárias, os trânsitos “fáceis” podem resultar mais perigosos que os trânsitos “difíceis”. Podemos nos tornar mais lentos e acomodados, até sermos sacudidos pelo próximo trânsito “difícil” destes dois planetas em contato.

É preciso entender que todos os procesos da vida, assim como a própria vida, têm início, culminação e fim. Os trânsitos só indicam que etapa destes procesos estamos vivemos, e qual seria a melhor maneira de atravessá-los. 

Em vez de colocar a responsabilidade do que vivemos em algo que está fora da gente, assumamos a responsabilidade sobre nossas próprias vidas. Ninguém tem o poder de gerar em nossas vidas um acontecimento bom ou ruim, só nós mesmos. Um astrólogo lê tendencias escritas no céu, que indicam circunstâncias favoráveis ou desfavoráveis para que o sujeito crie seu destino segundo seu desejo, mas nem o céu, nem os planetas, nem o astrólogo têm o poder de gerar ese destino. Só nós podemos fazer isso! Somos os grandes autores e protagonistas das nossas vidas, e isso é genial! Isso é o que torna tudo tão interesante! Se tudo já estivesse escrito por algo ou alguém, que entendiante…! Os planetas indicam culminações de situações em curso, inicios, finais, que podem ser vividos de outra maneira se atuamos em consonancia com o trânsito. As mudanças que nos pedem os trânsitos podem ser realizados voluntaria ou compulsoriamente. Como faremos, depende de cada um! 

E essa é a grande magia da vida: poder criar e recriar constantemente nossa própria história!
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